Italianos do Norte

Através do Decreto Nº 5.663 de 17 de junho de 1874

O Governo Imperial Brasileiro autoriza a celebração de um contrato entre José Fernandes da Costa Pereira Júnior (na ocasião, Ministro e Secretário de Estado para os Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas) e Joaquim Caetano Pinto Júnior, para introdução de 100.000 imigrantes no Brasil, surgindo assim o "Contrato Caetano Pinto", que propiciou a muitos Italianos condições (mínimas) para imigraram para o Brasil.

Assim, a partir de 1875, fugindo da fome e da miséria que se instalaram na Itália, centenas de emigrantes deixaram sua terra natal em direção a América, dentre eles os italianos do Norte.


Para esses Italianos, haviam dois portos de saída:

- Pelo porto de Havre (porto da França), onde os Tyroleses e Italianos do Norte tinham que viajar até a fronteira com a França, e de lá seguiam através do “Caminho de Ferro” (trem). A partir de Havre, haviam diversas companhias marítima que faziam o percurso Europa > América;

- Pelo porto de Gênova, através de Trento, descendo a Planície do Pó até Gênova, onde os imigrantes poderiam se valer do contrato “Caetano Pinto”, que custeava suas passagens.


Além das passagens, aquele contrato concedia outros benefícios, previstos em algumas cláusulas, como as a seguir transcritas:

CLÁUSULA VIII

"O Governo concederá gratuitamente aos imigrantes hospedagem e alimentação durante os primeiros oito dias de sua chegada, e transporte até as colônias do Estado a que se destinam".


CLÁUSULA VIII

"Igualmente garantirá aos imigrantes que se queiram estabelecer nas colônias do Estado a plena propriedade de um lote de terras, nas condições e preços estabelecidos pelo Decreto n. 3.748 de 19 de janeiro de 1867, e obrigar-se-á, além disso, a não elevar o preço das terras de suas colônias sem avisar o empresário com doze meses de antecedência".

O que transcrevemos a seguir, são relatos extraídos do livro "Por um Pedaço de Terra – Luiz Alves", da professora Didimia Lazzaris de Oliveira (as datas foram propositadamente omitidas tendo em vista que, no caso da família Stringari, não há registros das viagens do Rio de Janeiro até Itajaí).
 

"Enfrentando o mar, à distância e os perigos “POR UM PEDAÇO DE TERRA”, esses emigrantes de 1877 chegavam ao Rio de Janeiro onde faziam o transbordo para outro vapor que os conduziam à Província de Santa Catarina."


"Julio Grothe (engenheiro encarregado do estabelecimento colonial Luiz Alves), era quem recepcionava e levava os imigrantes até os lotes que demarcou às margens do rio Luiz Alves, em seus Braços e Ribeirões".


"Quando chegavam ao porto de Itajaí, os imigrantes eram encaminhados para o tradicional “galpão”, localizado nas imediações da barra do rio Itajaí-Mirim, um afluente do Itajaí-Açu, à sua margem direita. Aguardava-os também, para recepcioná-los, o intérprete Henrique Ciconi".


"No barracão dos imigrantes, através do intérprete, eram negociados os lotes e acertados os acordos com o Inspetor de Terras, representante da Província, e o agente colonizador".

Viagem do barracão dos imigrantes em Itajaí, até a colônia Luiz Alves:
 

"Em lanchas peruas, de propriedade de João Marçal Bastos, os imigrantes italianos (homens, mulheres e crianças) partiam do barracão na foz do Itajaí-Mirim, onde estavam alojados, e, naquelas balsas,empurradas a varejão, subiam o Rio Itajaí-açu. Nas imediações de Ilhota, entravam na barra do Rio “Luiz Alves”, um dos afluentes do Itajaí à sua margem esquerda. O rio era cheio de curvas e de todos os lados se avistavam os montes se misturando com o céu. Naquele silêncio, além deles, do rio e dos pássaros, que eram muitos, sentiam, apenas, a presença de Deus. As balsas seguiam em direção ao “Rio do Peixe”, localidade à foz do ribeirão do mesmo nome, afluente do Rio Luiz Alves, onde, em terras de João Mafra, distante da sede 29,5 km, havia um porto de onde transportavam a madeira até no Salto Grande. Passando pela foz do Ribeirão Canoas, as balsas chegavam às proximidades do “Salto” que originou o nome daquela localidade. Aí, a viagem era interrompida porque o rio começava a ficar intransitável devido as suas lindas e inúmeras quedas d'água. Estavam no Salto-Grande de onde dariam início à outra jornada, sempre margeando o rio, pelo picadão na mata, em terras de Antônio Pereira Liberato, que os levava para onde estava construído o galpão com 60 metros de comprimento e 9 de largura, fechado com tarimbas, com capacidade para abrigar até 500 pessoas. Esse trajeto era feito a pé".

Parte do relato feito por Julio Grothe (com a ortografia e escrita da época), a respeito da chegada dos colonos na Colônia Luiz Alves:
 

"A primeira remepsa de colonos chegaram ao núcleo colonial em 29 de novembro (1877) e a segunda em 5 de dezembro ultimo". "Todos esses tomaram posse de seus lotes em 10 do mesmo mez dezembro". "A terceira remepsa chegou ao núcleo em 22 de dezembro ultimo, os respectivos chefes de família tomarão popse de seus lotes a 30 do mesmo mez". "Achando-se os colonos apenas empossados de seus lotes é cedo falar em seus trabalhos de lavoura". "Devo mencionar porem que em geral aplicam-se com ardor nos trabalhos tendentes a estabelecerem-se em seus lotes". "Achão-se distribuídos a estes colonos 52 lotes rústicos de 275 metros de frente e 1.100 de fundos cada um". "O número de colonos existentes neste núcleo em 31 de dezembro do ano findo (1877) é de 230".

Sobre a colônia Luiz Alves

O núcleo colonial Luiz Alves foi fundado nas imediações do rio que tinha o mesmo nome, afluente do rio Itajaí-Açu, e o nome dos lugares onde os lotes de terras se situaram, foram atribuídos de acordo com  a sua localização (braços do rio ou ribeirões), e foram assim distribuídos:

1º Braço do Norte, Braço Direito (caminho da sede até o Alto Luiz Alves – margem direita e esquerda), Braço Costa ou Canudo (caminho aberto pelos Costa's), Ribeirão Seco2º Braço do NorteRegião do MáximoSerafimPaula RamosBraço FrancêsRibeirão BugreRibeirão OnçaBraço JoaquimRibeirão Belga, etc. Algumas dessas denominações são subdivisões daquelas indicadas inicialmente por Julio Grothe.